quarta-feira, 23 de maio de 2007

Alto desempenho, mas a que custo?


Um dos principais destaques do Windows Vista é o DirectX 10, a nova interface de programação que promete gráficos ainda mais realistas e com desempenho muito superior ao atual DirectX 9. Para aproveitar todo este poder, você vai precisar de três coisas: o Windows Vista, jogos com suporte a esta tecnologia (e eles são poucos) e uma nova placa de vídeo. A NVIDIA GeForce 8800 GTX é a primeira aceleradora 3D compatível com esta tecnologia a chegar ao mercado, e também pode clamar o título de rainha do desempenho. Resolvemos ver do que ela realmente é capaz.

Nossa máquina de testes, gentilmente cedida pela NVIDIA, era baseada em uma placa-mãe com o chipset nForce 680 SLI, com um processador Intel Core 2 Extreme 6800 rodando a 2.93 GHz e 2 GB de memória RAM. A placa de vídeo era uma GeForce 8800 GTX, com 768 MB de memória dedicada. Este pequeno “monstro”, instalado em um slot PCI Express, ocupa duas baias no painel traseiro da máquina. Para alimentá-lo, são necessários dois conectores de força PCI-e e o fabricante recomenda uma fonte de alimentação de pelo menos 400 W.

Para os testes de desempenho, usamos duas ferramentas padrão na indústria, o 3Dmark 2006 e o bom e velho Doom 3, ambos rodando no Windows XP SP2 (o 3DMark ainda não se comporta muito bem sob o Windows Vista), com os últimos drivers ForceWare da NVIDIA. No 3DMark, a GeForce 8800 GTX atingiu a inédita marca de 10.425 pontos, deixado bem para trás nosso PC para jogos que montamos na edição 11 (5.428 pontos com um AMD Athlon 64 FX-57 e uma ATI Radeon X1900). Já no Doom 3, obtivemos a marca de 208 fps (quadros por segundo) a 1024x768 com gráficos em Medium Quality sem Anti-Aliasing e 160 fps na resolução de 1280x1024 com gráficos em Ultra Quality e Anti-aliasing em 4x.

Não temos dúvidas de que a máquina também se sairia bem a 1600x1200 com as mesmas configurações, entretanto, o monitor LCD usado nos testes (um Samsung 225bw widescreen de 22 polegadas) não chega a tanto: por causa do aspecto da tela, a resolução nativa é de 1680x1054 pixels. Outros jogos que testamos, como Need for Speed: Carbon, F.E.A.R. e Oblivion também rodaram sem problemas com gráficos em qualidade máxima.

O único problema desta placa é o preço, por volta de R$ 3.000 no mercado nacional. Com isso, dá para montar um PC decente para jogos (se você não faz questão do máximo de desempenho) ou investir em um console da nova geração, como um Xbox 360, e jogar tranqüilo pelos próximos cinco anos. Leve em conta que, além da placa de vídeo, você provavelmente terá de atualizar outros componentes do micro, como fonte e RAM, para evitar gargalos no desempenho. Só mesmo para os aficcionados.

GeForce 8800 GTX
NVIDIA, www.nvidia.com
Preço: R$ 3.000,00

Conteúdo disponível, mas sem recursos extras

Já é possível encontrar um quantidade razoável de filmes em alta definição. Mas paga-se pela qualidade da imagem e som. E só

Se você é um feliz proprietário de um player HD-DVD ou Blu-ray, faça a pipoca e prepare-se para assistir filmes como nunca foram vistos antes.

Entretanto, não espere que esses discos tenham uma infinidade de atributos extras. Não que eles (com preços de 20 a 40 dólares) não tragam seus adicionais, mas no fim paga-se mesmo é pela qualidade de imagem melhorada.

Alguns discos trazem áudio de ultima geração e poucos fornecem extras em 1080p, ou seja, uma definição de 1080 linhas de resolução vertical não entrelaçadas; mas a maioria deles têm os mesmos extras de canal 5.1 Dolby Digital ou faixas DTS Surround que seus equivalentes DVDs.

As opções de áudio variam conforme o título e podem não ter igual tratamento de áudio, dependendo do formato. O disco Blu-ray de “O Fantasma da Ópera”, por exemplo, possui somente áudio Dolby Digital de 5.1 canais, enquanto a versão HD DVD traz Dolby TrueHD de 5.1 canais.

Os extras oferecidos pelos filmes dependem muito do que o formato de cada um pode suportar. Os filmes, em ambos os formatos, apresentam menus pop-ups, que permitem , por exemplo, selecionar cenas sem sair do filme.

Outros atributos, como comentários picture-in-picture, são ativados e desativados sempre que se quiser, mas por enquanto estão disponíveis somente em HD DVD, porque players Blu-ray não são capazes de lidar com eles. Os discos HD DVD atuais possuem mais atributos extras que os Blu-ray.

Filmes de alta definição também no PC

É possível, mas o hardware ainda é caro e o software precisa de ajustes

Por enquanto, tentar assistir filmes de alta definição no PC pode, além de caro, ser bem frustrante. O hardware necessário não é barato, o software ainda precisa amadurecer e sua placa de vídeo, mesmo que seja recente, pode não ser o bastante.

Apesar de termos configurado para reprodução de filmes Blu-ray, tivemos dificuldade com filmes HD DVD, prova de que o caminho para o upgrade do formato de alta definição ainda não está pronto para o mercado em grande escala.

Reproduzir mídia de alta definição no PC requer mais do que somente acrescentar um novo drive óptico ao equipamento já existente. Os fabricantes de hardware e software recomendam pelo menos 1GB de memória e um processador dual core.

O maior “porém” acerca de reproduzir filmes em Blu-ray ou HD DVD está relacionado ao esquemas de proteção autoral. Discos comerciais de filme são criptografados com o novo protocolo AACS (Advanced Access Content System); mas a verdadeira barreira é o High Definition Content Protection (HDCP) da Intel, um protocolo de segurança em hardware embutido num firmware de dispositivos e aparelhos.

Todo hardware do PC (drive Blu-ray e HD DVD, placas de vídeo e o monitor) deve ter certificado HDCP para reproduzir conteúdo protegido em resolução total através de conexão digital, seja DVI ou HDMI.

Deve-se ter cuidado ao comprar dispositivos com certificado HDCP. Se não tiver a palavra “certified” (certificado) na caixa, não compre o produto. Algumas placas de vídeo estabelecem compliance HDCP (colaboração com HDCO) ou melhoram a emissões da HDTV, mas não implementam de fato o HDCP.

Procure por uma placa em GPU nVidia GeForce 7 ou GeForce 8-series com drivers PureVideo HD ou ATI Radeon X1650 (AMD) ou uma placa melhor com os drivers mais recentes da Catalyst.

Contudo, mesmo que a placa tenha um desses chips, não há garantia de que haja implementação HDCP. A nVidia concede seu logo PureVideo HD somente a placas certificadas; a AMD ainda não possui nada do gênero.

Por causa do HDCP, o hardware necessário para reproduzir discos de alta definição em qualidade superior encarece bastante, começa com 500 dólares por um drive hd100 HD DVD-ROM da HP e passa por um gravador Blu-ray Sony BWU-100ª de 700 dólares e um Lite-On LH-2B1S de 600 dólares.

Acrescente a isso uma placa de vídeo com certificado HDCP (150 dólares ou mais) e um monitor, também com certificado, de um tamanho razoável – pelo menor, 700 dólares para se ter uma resolução de 1920 por 1200 capaz de 1080p; apesar de monitores HDCP mais baratos existirem, muitos não aceitam saída 1080p. O total sai por cerca de 1,5 mil dólares.

Fazendo funcionar
Para se ter uma idéia do que é preciso para capacitar um sistema para alta definição, experimentamos vários componentes na busca pela montagem perfeita – o que posteriormente redefinimos como uma que simplesmente funcionasse direito.

Como nosso velho monitor Dell UltraSharp 2405 só permitia alta definição através de um conector VGA analógico, trocamos para os displays ViewSonic VX2435wm (799 dólares, 24 polegadas) e Dell UltraSharp 2707WFP (1,399 mil dólares, 27 polegadas) com certificado HDCP. Por fim, usamos uma placa de vídeo em GeForce 8800.

Foi preciso instalar diversas versões do software Power DVD Ultra 7.3 (CyberLink) antes de conseguir reproduzir os filmes em Blu-ray. O HD DVD foi mais problemático. Nunca conseguimos direcionar o sistema para reproduzir filmes HD DVD através da conexão DVI do monitor; mesmo o aplicativo PowerDVD 6.5 HD DVD Edition que veio com o drive hd100 não nos levou além de uma tela preta após o menu principal. A HP e a Cyberlink não quiseram falar sobre essa questão.

Toda essa complicação pode ser evitada comprando um caro deck pré-configurado para reprodução de alta definição. Nessa situação não tivemos problemas no uso de HD DVD num PC HP Media Center pré-configurado.

Vale a pena assistir filmes no PC? Não em se tratando de alta definição. A imagem é incrível, visivelmente melhor que a do DVD, mesmo numa tela de tamanho médio. A questão real é se você irá conseguir reproduzir tudo no seu PC. Infelizmente não tem como saber sem tentar.

HD-DVD x Blu-ray: desempenho à prova

Design é importante, mas não basta. Veja o que cada um dos players analisados oferece de melhor

Os três modelos HD DVD que analisamos – Toshiba HD-A2, HD-XA2 e Xbox 360 – tomam a dianteira no quesito atributos e integração de interatividade, incluindo vídeo picture-in-picture, marcação de favoritos (mesmo depois de se ejetar o disco) e capacidade de entregar o conteúdo completo via ethernet. O que não é surpresa, dado que o formato HD DVD solicita que os players tenham um hardware para um nível mínimo de interatividade.

:: Confira tabela completa do comparativo

Problemas de design a parte, todas as unidades testadas responderam aos comandos com lentidão. Mas os piores foram o Pioneer Elite BDP-HD1 e o Sony BDP-S1 - cada um desses modelos levou mais de um minuto somente para aceitar o disco.

O BDP-S1 ainda possui os botões de ligar/desligar e ejetar localizados muito alto no painel frontal, tão alto que fica difícil de alcançá-los se houver algum outro componente sobre o player.

O controle remoto do Toshiba HD-XA2 tem simples botões finos e é um pouco frustrante de se manejar. E o Panasonic DMP-BD10 precisa estar com o painel frontal aberto – com a área de drive o os botões aparentes – para ser usado.

Os players Toshiba mostraram problemas na hora de alternar as entradas HDMI. O HD-XA2 parou, indicou que a resolução tinha sido modificada e insistiu em reiniciar o filme do começo.

O HD-A2 congelou completamente e precisou de reboot. A empresa afirma que está investigando os motivos relacionados à questão.

HD-DVD x Blu-ray e a questão do áudio

Boa imagem, aliada a uma qualidade de áudio superior, proporcionam uma experiência diferente aos usuários de players de alta resolução

Dentre todos os nove equipamentos que avaliamos (veja aqui a tabela completa do comparativo), o melhor som saiu do Sony BDP-S1, seguido pelos dois modelos da Toshiba (que empataram no segundo lugar) e pelo Pioneer e Philips (terceiro e quarto, respectivamente).

Operar o suporte de áudio dos players é bem complicado. Se você achava que a terminologia do DVD já era difícil (Dolby Digital, Dolby Surround, DTS Digital Surround e PCM), ainda não viu nada. Juntam-se a eles: Dolby Digital Plus, Dolby TrueHD, DTS-HD Master Audio e Linear PCM.

Para descobrir como tudo isso soa, conectamos cada um dos players ao receptor de áudio/vídeo Pioneer Elite VSX-82TXS e ao sistema de som surround NHT Classic com canais 5.1. Configuramos os players para que eles mesmos processassem seu áudio.

Nos dois primeiros capítulos de "O Fantasma da Ópera" conseguimos ouvir os sons dos pássaros voando, o bater do candelabro de cristal e a intensidade dos instrumentos da orquestra; tudo limpo e claro nos players Sony BDP-S1 e nos dois da Toshiba.

Comparamos as faixas sonoras Dolby Digital de canal 5.1; a versão Blu-ray deste filme não tinha a faixa Dolby TrueHD da versão HD DVD.

O Linear PCM foi testado com uma versão Blu-ray do "The Last Waltz", um concerto de 1976 gravado em alta qualidade analógica. Tanto no Sony BDP-S1 quanto no Pioneer, a música tinha a intensidade de um concerto ao vivo, cada inflexão feita por cada músico estava perfeitamente clara. A mesma faixa Linear PCM, só que nos players Samsung, Philips, Panasonic e PS3, soou abafada e turva.

Confira tabela completa do comparativo

Conheça os detalhes de cada formato